terça-feira, 28 de junho de 2011

Programa para a Educação: Palha para Esfomeados




O programa para a educação do XIX governo de Portugal é um caso sério de pobreza. A grande visão estratégica do Governo fica adiada para 2015-2020; de 2020 a 2030, o governo vai construir consensos em torno dessa visão. A partir daí, começa então a implementação dessa grande visão.




O errado é:
  1. Pensar que aquilo que venha a ser construído até 2015 como visão estratégica, ainda tenha algum valor 15 anos depois.
  2.  Pensar que há alguma forma de construir uma visão estratégica, sem alterar aquilo que lhe dá origem
  3. Pensar que um governo, eleito para 4 anos, só pode governar, a partir do 4º ano de governação.
  4. Pensar que daqui a 20 anos os modelos criados hoje ainda são válidos.
Entretanto, o governo compromete-se a alterar o eduquês; o eduquês do passado será (por decreto, certamente) revogado e um outro, igualmente bizarro, vago, ideológico, etc., começará a ser institucionalizado e promovido empenhadamente pelo Ministério da Educação.

O Ministério da Educação vai mesmo criar uma "nova cultura de disciplina e esforço" (se calhar, também por decreto). Estes ministros que criam culturas... vão longe.

O Ministro também vai:
  1. Definir metas
  2. Criar sistemas de indicadores
  3. Rever e reestruturar coisas
Vai fazer exames? Nem por isso. Vai:
  1. Implementar provas nacionais para o 4º ano 
  2. Implementar provas finais de ciclo para o 6º e 9º anos (olha a novidade)
  3. Implementar exames (aqui, sim) nacionais para o 11º e 12º anos (olha a novidade)
Vai motivar os recursos humanos... Afinal, a motivação é importante, mas não para os alunos que, pelos vistos, não devem ser humanos ou recursos.

Até vai reforçar a autoridade do professor... uma coisa que é só dizer e já está.

Aquilo que o ministro não vai fazer:

Pensar na escola como uma organização social que carece urgentemente de novas regras de funcionamento (as actuais são disfuncionais).
Deixar de investir na ideia de que se os alunos e os professores forem rigorosamente avaliados, tudo o resto se resolve.
Abdicar das suas quesílias académico-pessoais (já agora, nos anos 70 do século passado, li um livro de um senhor Morin (não o Edgar), que, muito melhor, com muito humor e sem presunções pseudo-académicas aborda as questões daquilo a que o ministro chama eduquês: não é por nada... o Nuno Crato, académico, devia ler ou reler esse livrinho.)

Temos, portanto, nada a esperar deste ministro da educação.
Mas conheço muitos professores muito felizes, precisamente por isso.
Pessoalmente, acho que fica tudo igual, só que, aparentemente, mais calmo. Já não será mau, pensam alguns. Eu, não. A agitação obriga a pensar. A calmaria adormece os espíritos e cria, potencia e consolida as rivalidades e as desuniões.

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