sábado, 22 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Putin é que sabe quando acaba o mundo


Rússia Putin é que sabe quando acaba o mundo
Esta sexta-feira é, para muitos, o dia que marca o último suspiro da humanidade. Pelo menos para aqueles que acreditam em profecias ligadas ao calendário Maia. No entanto, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que não partilha desta crença, diz saber o dia em que o mundo realmente acaba: precisamente daqui a 4,5 mil milhões de anos, avança a imprensa internacional.
Putin é que sabe quando acaba o mundo
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O Presidente russo Vladimir Putin acredita que o mundo vai acabar dentro de 4,5 mil milhões de anos, e não hoje, como muitos crêem. Aliás, Putin diz que não acredita, sabe mesmo que será naquela altura.
“Eu sei que o mundo vai acabar daqui a 4,5 mil milhões de anos”, porque “assim é o funcionamento do Sol”, precisou o líder russo, reportando-se ao fim do ciclo da estrela que determina a sobrevivência do planeta Terra.

O responsável falava numa conferência de imprensa na qual participaram cerca de 1.200 jornalistas, tendo acrescentado que não teme o momento “em que o reactor se desligar e tudo terminar”, uma vez que não faz sentido ter “medo de algo que é inevitável”

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Porque dizem que o Mundo acaba na sexta-feira?


Maias Porque dizem que o Mundo acaba na sexta-feira?
As interpretações da chamada 'profecia Maia' prevêem que o Mundo acabe nesta sexta-feira, dia 21 de Dezembro. Saiba de onde surgiu esta data.


A ideia de que uma hecatombe mundial aconteceria na Terra no dia do Equinócio de Inverno, a 21 de Dezembro, é uma teoria que já se ouve pelo menos há quarenta anos, desde a época de ouro da ‘Nova Era’. Mas nos últimos três anos essa crença tem ganhado força, de acordo com a BBC.

A polémica atingiu proporções tais que até a NASA sentiu necessidade de abordar o tema, disponibilizando no seu site uma página dedicada a questões sobre o fim do Mundo, onde alguns especialistas negam as previsões do calendário dos Maias através da ciência.

Uma investigação da BBC concluiu que as interpretações de que o fim do Mundo aconteceria no dia 21 de Dezembro de 2012 são baseadas em dois monumentos maias, a 'Estela 6' (uma espécie de totem, no sul do México) e a 'Estela 1' (perto do Golfo do México).

Na antiga civilização maia, as chamadas 'Estelas' eram colunas nas quais se marcavam as datas de eventos importantes.

O monumento Estela 6 foi descoberto entre 1957 e 1958 e refere a data 'baktún 13 4 Ahau 3 Kankin' que, traduzida para o calendário gregoriano, equivale a 21 de Dezembro de 2012. Este dia corresponderia também ao fim de um ciclo de 5.126 anos registado no calendário maia.

Já a Estela 1 tem quatro referências a datas, sendo uma delas a próxima sexta-feira.

Outra justificação para a data é o facto do dia 21 de Dezembro de 2012 ser o último dia do calendário criado pelos maias. Ou seja, não há registo do que viria depois disso.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O Fim do Jurássico e a Extinção dos Dinossáurios

Pesquisa recente e aprofundada revela que:

  • O fim do jurássico e a extinção dos dinossáurios tiveram origem no facto de, nessa altura, os principais intervenientes terem vivido acima das suas possibilidades;
  • As agências de notação, desde então e para todo o sempre, vigilantes intrépidas, atentas a todos os abusos, baixaram sucessivamente o rating dos jurássicos.
Esta informação é confidencial, pelo que quem a divulgar deverá assumir todas as responsabilidades inerentes.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Podemos finalmente ficar descansados...


NASA garante que o mundo não vai acabar este mês

Agência espacial norte-americana esclareceu que não prevê qualquer apocalipse para o dia 21 de dezembro de 2012, ao contrário do que seria previsto no calendário dos maias, algo que não passa de um mito.

17:25 Domingo, 2 de dezembro de 2012

O fim do mundo não está perto, garante a NASA
O fim do mundo não está perto, garante a NASA
Getty
"O mundo não vai acabar em 2012". Foi assim, de forma taxativa, que a NASA (National Aeronautics and Space Administration) sossegou os mais incautos sobre o apocalipse "iminente", numa secção especial de perguntas e respostas no seu siteoficial.
Os mitos relacionados com o fim do mundo estariam a preocupar milhares de pessoas, que já contemplavam o suicídio, de acordo com David Morrison, cientista da NASA que responde a perguntas recebidas pela agência espacial norte-americana todos os dias.
Ultimamente, as perguntas sobre o possível apocalipse, marcado para 21/12/2012 - dia do suposto fim do calendário da civilização maia -, estavam a aumentar em números preocupantes, conta David Morrison, pelo que a NASA decidiu mesmo endereçar o problema.
"Acho que foi há cerca de quatro anos, em 2008, que comecei a receber cerca de cinco perguntas por dia sobre o apocalipse em 2012, e agora aumentou. A pergunta mais comum é se o mundo irá acabar a 21 de dezembro deste ano", explicou, em declarações à televisão norte-americana ABC.
"Acho sempre tudo muito estranho, porque a ideia de o mundo acabar é absurda. Há mesmo quem pense 'o mundo vai acabar, mas se eu construir um bunker no quintal, vou sobreviver'?"

"O planeta tem estado ótimo" 


A NASA esclareceu que "o planeta tem estado ótimo nos últimos quatro mil milhões de anos e que os cientistas credíveis em todo o mundo não prevêem qualquer ameaça em 2012".
Mesmo assim, David Morrison diz que recebe inúmeras cartas de pessoas que pensam matar os filhos ou os animais para que não sofram no apocalipse, que tanto pode chegar no dia 21 ou através de um suposto planeta chamado Nibiru, que estaria perto de embater com a Terra.
Tudo mitos, diz o cientista. "No dia 22 de dezembro, quando nada disso acontecer, esperarei um pedido de desculpas", gracejou.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Quem Diria?



Starbucks s'est associé à Square pour proposer à ses clients de régler leurs achats par l'intermédiaire du portefeuille électronique "Square Wallet". AFP/CHRIS HONDROS

Pour Amazon, Google ou Starbucks l'impôt n'a pas de frontières

Blog : Pertes et Profits

Y a un truc! On ne peut s'empêcher d'avoir ce réflexe dubitatif, lorsque, bluffé par un tour de passe-passe, abusé par ce que nos yeux n'ont pas pu détecter, on tente de remettre un peu de rationnel dans une réalité qui nous dépasse. Starbucks, Amazon ou Google sont des entreprises admirées pour leur capacité à dégager des bénéfices, mais leur habileté ne s'arrête pas là. Leur "truc" à elles s'appelle l'optimisation fiscale. Gagner le maximum dans un endroit donné, tout en payant le minimum d'impôts. Trop fort!
Ce petit manège agace de plus en plus les Etats, qui, asphyxiés par la dette, cherchent légitimement à récupérer leur dû. Une commission parlementaire britannique a ainsi réclamé, lundi 12 novembre, à ces trois multinationales américaines de lui révéler le dessous des cartes.
Par exemple, comment fait Starbucks pour continuer à s'évertuer à perdre de l'argent au Royaume-Uni? Treize ans que cela dure, et malgré tout, la chaîne de café s'entête à y investir. "Soit vous gérer mal l'entreprise, soit il y a un truc", s'est énervé un parlementaire britannique. "Nous n'avons gagné de l'argent qu'en 2006", s'est presque excusé le directeur financier de Starbucks, Troy Alstead. En fait, tout l'art de la magie consiste à s'adapter à son public. Car en 2009, la direction assurait la main sur le coeur aux analystes financiers que la filiale britannique gagnait de l'argent. Sans doute un excès de naïveté de leur part. Ou bien avaient-ils oublié de prendre en compte les "faux frais" de Starbucks dans ce pays. Ainsi, 6% du chiffre d'affaires doit être reversé à la filiale néerlandaise au titre de "l'usage de la marque". Sans compter la société interne de courtage, basée en Suisse, qui revend le café à Starbucks au Royaume-Uni en prenant au passage une marge de 20%. Une fois passés au percolateur de l'optimisation fiscale, on comprend que les bénéfices s'évaporent vers des contrées plus accueillantes en matière fiscale.
Chez Amazon, le "truc", c'est le Luxembourg. Les clients britanniques du libraire en ligne n'achètent pas leurs livres au pays de Shakespeare, mais auprès d'une société logée au Grand-duché. Le contribuable anglais n'a plus qu'à tourner la page. Le fisc français, lui, s'y refuse et réclame 252 millions de dollars d'arriérés d'impôts à Amazon. Pour Google, c'est l'Irlande, où le climat fiscal est des plus cléments, tout en disposant d'un siège aux Bermudes. On est jamais trop prudent avec la météo.
"Nous ne faisons rien d'illégal", clament en coeur ces multinationales, dont la liste n'est pas exhaustive. C'est bien le problème. Il ne tient qu'aux Etats de mettre fin à la prestidigitation.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

O Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoa


O que eu quero dizer é que entre as minhas teorias e a prática da minha vida não há divergência nenhuma, mas uma conformidade absoluta. Lá que não tenho uma vida como a dos tipo dos sindicatos e das bombas - isso é verdade. Mas é a vida deles que está fora do anarquismo, fora dos ideais deles. A minha não. Em mim - sim, em mim, banqueiro, grande comerciante, açambarcador se V. quiser -, em mim a teoria e a prática do anarquismo estão conjuntas e ambas certas. V. comparou-me a esses parvos dos sindicatos e das bombas para indicar que sou diferente deles. Sou, mas a diferença é esta: eles (sim, eles e não eu) são anarquistas só na teoria; eu sou-o na teoria e na prática. Eles são anarquistas e estúpidos, eu anarquista e inteligente. Isto é, meu velho, eu é que sou o verdadeiro anarquista. Eles - os dos sindicatos e das bombas (eu também lá estive e saí de lá exatamente pelo meu verdadeiro anarquismo) - eles são o lixo do anarquismo, os fêmeas da grande doutrina libertária
(...)
Como podia eu tornar-me superior à força do dinheiro? O processo mais simples era afastar-me da esfera da sua influência, isto é, da civilização; ir para um campo comer raízes e beber água das nascentes; andar nu e viver como animal. Mas isto, mesmo que não houvesse dificuldade em fazê-lo, não era combater uma ficção social; não era mesmo combater: era fugir. Realmente, quem se esquiva a travar um combate não é derrotado nele. Mas moralmente é derrotado, porque não se bateu. O processo tinha que ser outro - um processo de combate e não de fuga. Como subjugar o dinheiro, combatendo-o? Como furtar-me à sua influência e tirania, não evitando o seu encontro? O processo era só um - adquiri-lo, adquiri-lo em quantidades bastante para lhe não sentir a influência; e em quanto mais quantidade o adquirisse, tanto mais livre eu estaria dessa influência. Foi quando vi isto claramente, com toda a força da minha convicção de anarquista, e toda a minha lógica de homem lúcido, que entrei na fase atual - a comercial e bancária, meu amigo - do meu anarquismo.
(..)

- Ora V. lembra-se daquelas duas dificuldades lógicas que eu lhe disse que me haviam surgido no princípio da minha carreira de anarquista consciente?... E V. lembra-se de eu lhe dizer que naquela altura as resolvi artificialmente pelo sentimento e não pela lógica? Isto é, V. mesmo notou e muito bem, que eu não as tinha resolvido pela lógica...
- Lembro-me, sim...
- E V. lembra-se de eu lhe dizer que mais tarde, quando acertei por fim com o verdadeiro processo anarquista, as resolvi então de vez, isto é, pela lógica?
- Sim.
- Ora veja como ficaram resolvidas... As dificuldades eram estas: não é natural trabalhar por qualquer coisa, seja o que for, sem uma compensação natural, isto é, egoísta; e não é natural dar o nosso esforço a qualquer fim sem ter a compensação de saber que esse fim se atinge. As duas dificuldades eram estas; ora repare como ficam resolvidas pelo processo de trabalho anarquista que o meu raciocínio me levou a descobrir como sendo o único verdadeiro... O processo dá em resultado eu enriquecer; portanto, compensação egoísta. O processo visa ao conseguimento da liberdade; ora eu, tornando-me superior à força do dinheiro, isto é, libertando-me dela, consigo liberdade. Consigo liberdade só para mim, é certo; mas é que como já lhe provei, a liberdade para todos só pode vir com a destruição das ficções sociais, pela revolução social. O ponto concreto é este: viso liberdade, consigo liberdade: consigo a liberdade que posso... E veja V.: à parte o raciocínio que determina este processo anarquista como o único verdadeiro, o facto que ele resolve automaticamente as dificuldades lógicas, que se podem opor a qualquer processo anarquista, mais prova que ele é o verdadeiro.
Pois foi este o processo que eu segui. Meti ombros à empresa de subjugar a ficção dinheiro, enriquecendo. Consegui. Levou um certo tempo, porque a luta foi grande, mas consegui. Escuso de lhe contar o que foi e o que tem sido a minha vida comercial e bancária. Podia ser interessante, em certos pontos sobretudo, mas já não pertence ao assunto. Trabalhei, lutei, ganhei dinheiro; trabalhei mais, lutei mais, ganhei mais dinheiro; ganhei muito dinheiro por fim. Não olhei o processo - confesso-lhe, meu amigo, que não olhei o processo; empreguei tudo quanto há - o açambarcamento, o sofisma financeiro, a própria concorrência desleal. O quê?! Eu combatia as ficções sociais, imorais e antinaturais por excelência, e havia de olhar a processos?! Eu trabalhava pela liberdade, e havia de olhar as armas com que combatia a tirania?! O anarquista estúpido, que atira bombas e dá tiros, bem sabe que mata, e bem sabe que as suas doutrinas não incluem a pena de morte. Ataca uma imoralidade com um crime, porque acha que essa imoralidade pede um crime para se destruir. Ele é estúpido quanto ao processo, porque, como já lhe mostrei, esse processo é errado e contraproducente como processo anarquista; agora quanto à moral do processo ele é inteligente. Ora o meu processo estava certo, e eu servia-me legitimamente, como anarquista, de todos os meios para enriquecer. Hoje realizei o meu limitado sonho de anarquista prático e lúcido. Sou livre. Faço o que quero, dentro, é claro, do que é possível fazer. O meu lema de anarquista era a liberdade; pois bem, tenho a liberdade, a liberdade que, por enquanto, na nossa sociedade imperfeita, é possível ter. Quis combater as forças sociais; combati-as, e, o que é mais, venci-as.''
- Alto lá! Alto lá! disse eu. Isso estará tudo muito bem, mas há uma cousa que V. não viu. As condições do seu processo eram, como V. provou, não só criar liberdade, mas também não criar tirania. Ora V. criou tirania V. como açambarcador, como banqueiro, como financeiro sem escrúpulos - V. desculpe, mas V. é que disse -, V. criou tirania. V. criou tanta tirania como qualquer outro representante das ficções sociais, que V. diz que combate.
- Não, meu velho, V. engana-se. Eu não criei tirania. A tirania, que pode ter resultado da minha ação de combate contra as ficções sociais, é uma tirania que não parte de mim, que portanto eu não criei; está nas ficções sociais, eu não ajuntei a elas. Essa tirania é a própria tirania das ficções sociais; e eu não podia, nem me propus, destruir as ficções sociais. Pela centésima vez lhe repito: só a revolução social pode destruir as ficções sociais; antes disso, a ação anarquista perfeita, como a minha, só pode subjugar as ficções sociais, subjugá-las em relação só ao anarquista que põe esse processo em prática, porque esse processo não permite uma mais larga sujeição dessas ficções. Não é de não criar tirania que se trata: é de não criar tirania nova, tirania onde não estava. Os anarquistas, trabalhando em conjunto, influenciando-se uns aos outros como eu lhe disse, criam entre si, fora e à parte das ficções sociais, uma tirania; essa é que é uma tirania nova. Essa, eu não a criei. Não a podia mesmo criar, pelas próprias condições do meu processo. Não, meu amigo; eu só criei liberdade. Libertei um. Libertei-me a mim. É que o meu processo, que é, como lhe provei, o único verdadeiro processo anarquista, me não permitiu libertar mais. O que pude libertar, libertei.


segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Com Todo o Respeito

Joseph Ratzinger (Bento XVI) decidiu publicar a sua história da vida de Jesus. Essa história já vai em três volumes. Já li o primeiro volume (é possível obtê-lo gratuitamente no sítio brasileiro www.amormariano.com.br ). Tenho muito respeito e vergo-me sem dificuldade à superioridade intelectual de Joseph Ratzinger, mais do que ao seu actual papel na Igreja católica.
Atrevo-me, no entanto, a criticar a sua tendência para ler as Escrituras em função das suas próprias convicções, com preconceitos, portanto. O caso mais paradigmático relaciona-se com a forma como vê a primeira tentação de Jesus durante o período em que se recolheu no deserto. Jesus estava com fome e o demónio tentou-o de facto de uma forma absolutamente cínica: "Se és filho de Deus, transforma estas pedras em pão". Jesus resistiu à tentação e preferiu manter o seu jejum.
A este propósito, Ratzinger escreve "Se és filho de Deus..." - que desafio. E não se deve dizer o mesmo à Igreja: se queres ser a Igreja de Deus, então preocupa-te em primeiro lugar com o pão para o mundo, o resto virá a seguir. Deste modo, sugere que seria uma tentação do demónio que a Igreja se preocupasse em primeiro lugar com o pão para o mundo. Com efeito, compara a tentação, a que Jesus resistiu, de recorrer a um milagre para matar a sua própria fome, com a tentação de a Igreja se preocupar com o pão do seu povo. Ora, com o devido respeito, não é a mesma coisa. Conforme Ratzinger reconhece, quando se tratou de matar a fome ao povo que o seguia, Jesus não hesitou em fazer a multiplicação dos pães. Interpreta ele esta diferença com a diferença da prioridade da palavra de Deus sobre o pão. Aqueles que seguiam Jesus estavam com fome, mas assumiam como prioridade ouvir a palavra de Deus.
A minha interpretação é outra: Jesus não se deixa tentar pela sua própria fome, mas preocupa-se com a fome do povo. Assim devia ser a Igreja, que não deveria preocupar-se tanto consigo, mas mais com o povo. E aqui não vale dizer que a Igreja é o povo, porque, então, a situação seria ainda muito mais grave: o povo, igual perante Deus, seria tratado pela sua hierarquia como desigual, sendo que uns teriam direito a todo o pão de que necessitam e até àquele de que não necessitam, enquanto a esmagadora maioria precisaria de um milagre para que lhe fosse feita justiça.
Diz Ratzinger e muito bem: Do modo conceptual mais elevado, o marxismo fez disto (da prioridade ao pão) o cerne da sua promessa de salvação: ele cuidaria para que acabasse toda a fome e que o "deserto se tornasse pão". Sem Deus, digo eu. Ora, se a Igreja quiser fazer o mesmo com Deus, não me parece que seja má ideia.
Talvez valha a pena pensar nisto. Não?

Finalmente... Uma Explicação Inteligente (tanto quanto é possível a quem está a ficar burro)


O ser humano está a ficar mais burro

A controversa afirmação foi feita por um geneticista da Universidade de Stanford. Há milhares de anos, o ser humano seria mais inteligente do que é hoje.

Os estudos e argumentos de Crabtree foram publicado em dois jornais especializados e não tardaram a receber reações de outros especialistas. Kevin Mitchell, professor de Genética do Trinity College de Dublin explica que Crabtree não contou com a seleção natural «que é incrivelmente poderosa e que consegue excluir as mutações que afetam negativamente a nossa inteligência», cita a Popular Science.
A investigação de Crabtree mostra que em três mil anos, o ser humano sofreu duas ou mais alterações nos genes do cérebro que o tornam menos inteligente. Este investigador explica que o mesmo acontece com outros sentidos, como o do olfato: o ser humano terá menos capacidade de detetar e reconhecer cheiros do que os nossos antepassados.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O que Interessa é o Impossível


O problema dos nossos políticos é a sua mediocridade. Gastam todos os cartuchos a disparar contra alvos que só respondem ao necessário, ao determinado por forças alienantes. Abominam, por preguiça ou por debilidade de raciocínio, todo o campo das possibilidades. Não sabem fazer design, ou disegno, ou desenho com desígnio (para dizer o mesmo em língua portuguesa). Saberão desenhar cenários, mas não os sabem designar, não sabem atribuir-lhes um desígnio. Ou têm medo de dizer qual é o seu desígnio, porque é vil e eles sabem que é. 
Quando da Vinci inventou o helicóptero, pensou não numa necessidade, mas numa possibilidade, na possibilidade de haver objetos que subissem no ar como as porcas nos parafusos (que ele tinha acabado de inventar). E fez o seu disegno, o seu desenho com desígnio. Cinco séculos depois, foi construído o primeiro helicóptero... em que as pás constroem o parafuso e a porca através do seu movimento no ar. Mas fizeram-no para responder a necessidades e não para desafiar as possibilidades ou o impossível. A possibilidade já tinha sido determinada. Grande coisa fizeram os construtores desse primeiro helicóptero... Em boa verdade, deveriam ser punidos por, em lugar de continuar a explorar o impossível, se terem dedicado a ganhar só por fazerem o óbvio, e necessário.
Os políticos não sabem desenhar com desígnio, mas, pelos vistos, sabem nadar, embora não saibam voar.

Inteligência da Complexidade





"Quando um conhecimento fragmentário e disperso nos torna progressivamente mais cegos aos nossos problemas fundamentais, a inteligência da complexidade converte-se numa necessidade vital para as nossas pessoas, as nossas culturas, as nossas sociedades." (...)
A inteligência da complexidade é "uma inteligência capaz de compreender que o conhecimento isola os objectos uns dos outros, as disciplinas umas das outras, não chega mais longe do que a uma inteligibilidade restrita e mutilada. É uma inteligência apta a ligar uns aos outros dados, informações e conhecimentos separados. É uma inteligência que sabe que a inteligência do real não é um reflexo da realidade, mas uma tradução/reconstrução dessa realidade, a partir de um espírito/cérebro humano." Edgar Morin e Jean-Louis Le Moigne (2007)

A Ilusão da Democracia Global

A democracia global tem sido uma proposta institucional que se centra exclusivamente na super-estrutura internacional e negligencia a estrutura económica dos mercados financeiros e das empresas multinacionais. É que em 1996, 51% das (100) maiores economias mundiais estavam nas mãos de empresas privadas. So 49% eram detidas por Estados. A economia da Wal-Mart era maior do que a de Israel ou a da Polónia, a da Mitsubishi era maior do que a da Indonésia e a da General Motors maior do que a da Dinamarca. (Portugal não conta nesta contabilidade das 100 maiores economias mundiais em 1996).
Se não houver uma mudança na base económica global, a democracia global será uma forma de legitimar a maior de todas as bestialidades humanas: a indiferença perante os outros. A lei da selva será bem mais cruel entre humanos do que entre as bestas, porque estas não acumulam mais do que aquilo de que precisam e podem, e precisam de menos e podem menos do que os humanos.

O Problema das Imagens

Parece (disse bem: Parece), que algumas imagens da manifestação do dia da greve geral captadas pela RTP mostram que alguns energúmenos que estavam a atirar pedras à polícia acabaram por se refugiar por trás das linhas da polícia, na altura em que a carga policial arrancou. Há quem diga que seriam infiltrados...
  • De qualquer modo, podemos e devemos ficar descansados. É que Miguel Relvas já disse que não tinha nada a ver com o caso, o caso de a RTP ter, de alguma forma, partilhado imagens não editadas com quem não pertence à empresa. E, se ele o disse, antes que alguém lhe perguntasse... é porque, de facto, é importante dizer isso antes que seja necessariamente tarde.
  • E isso, no meio de toda esta desgraça, é bom. Muito bom: há que desmentir tudo, antes que alguma coisa seja dita.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Obrigado

Muita gente me deu os parabéns hoje por ter feito anos. Acontece que não fiz nada para os fazer, e fiz o mesmo que nada para os não fazer. Não sou eu que mereço essa honra, mas sim o tempo, esse cão danado que nos persegue a rosnar e a morder-nos as canelas se queremos parar para descansar a ver o tempo passar. 
Resta-me a consolação de que hoje o Sol retorna à exacta posição que ocupava no dia em 
que nasci. Hoje, muito excepcionalmente, ele fez isso por mim. Quem sabe? talvez renasça. Mas até isso é mérito dele, do Sol. 


Parabéns então ao tempo que, ora à frente ora atrás, nunca ao lado, que eu nunca acertei a vida por ele, está a conseguir levar a dele avante. Naqueles e naquelas que, por lapso, me deram os parabéns a mim reconheço, todavia, a amizade, a simpatia ou a cortesia, e por isso lhes fico grato. Muito grato, porque enganados andamos todos, mas isso não é razão para deixarmos de andar ( o tempo não deixa...). 


Dizemos que escovamos o pêlo do cão no jardim com o argumento de que assim poupamos a casa e o tapete da casa aos pêlos que ficam por lá. Sabemos, no entanto, que isso não é verdade para os pêlos que continuam no cão (quase todos), o que equivale ao mesmo que não termos feito nada. Mas acreditamos em nós e na nossa magia, para não termos de reconhecer que, no fundo, escovar o pêlo ao cão é um acto de amizade, e só isso. Gostaria de ter razão, e estou convencido de que tenho, em interpretar do mesmo modo mágico os vossos parabéns. Obrigado a todos e a todas, portanto. Beijos, abraços, saudades. Jorge Barbosa

domingo, 18 de novembro de 2012

O Surdo


Mariano Rajoy diz que não ouviu Dilma Rousseff criticar austeridade

O presidente do Governo espanhol disse hoje não ter ouvido as críticas que a presidente brasileira Dilma Rousseff fez às políticas de austeridade, defendendo as decisões do seu executivo para responder à crise.

"Não ouvi nada isso. Não sei onde é que foi buscar isso", disse Mariano Rajoy, questionado por uma jornalista brasileira, na conferência de imprensa de encerramento da XXII Cimeira Ibero-americana em Cádis (sul de Espanha).
A jornalista perguntou diretamente a Mariano Rajoy como respondia às críticas de Dilma Rousseff à política de austeridade de Espanha.
Sem comentar a declaração de Rousseff, o chefe do Governo espanhol defendeu apenas os "cinco pilares" da ação do Governo para combater a crise: combater o défice, reformas estruturais, reformas económicas na UE, avançar na integração bancária e fiscal e reduzir o custo do financiamento da dívida.
Na sessão plenária da manhã de hoje, em Cádis -- presidida pelo rei de Espanha e pelo próprio Mariano Rajoy -- Dilma Rousseff teceu duras críticas às políticas de excessiva austeridade que estão a ser aplicadas na Europa e que estão a causar "sofrimento" às populações.
"O erro é achar que a consolidação fiscal coletiva, simultânea e acelerada, seja benéfica e resulte numa solução eficaz", disse Rousseff.
"Temos visto medidas que apesar de afastarem o risco da quebra financeira, não afastam a desconfiança dos mercados nem a desconfiança das populações. A confiança não se constrói apenas com sacrifícios", afirmou.
Para Rousseff é necessário que a estratégia e as medidas adotadas "mostrem resultados eficazes para as pessoas, horizontes de esperança e não apenas a perspetiva de mais anos de sofrimento".
Questionada pela Lusa sobre a resposta de Mariano Rajoy uma fonte oficial da presidência do Governo espanhol disse à Lusa que "o presidente não interpretou que o que disse a presidente brasileira fosse uma crítica à politica do governo espanhol".
"Considerou que era uma reflexão geral sobre a política de austeridade e não uma crítica a Espanha. Assim o entendeu e quando ouviu a jornalistas a perguntar respondeu que não ouvi a presidente brasileira criticar a política espanhola", disse a fonte.