quinta-feira, 28 de dezembro de 2006

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

sábado, 23 de dezembro de 2006

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

RETORICA

“(A) linguagem sofre frequentes abusos no discurso figurativo. Dado que a graça e a fantasia
encontram melhor acolhimento no mundo do que a seca verdade e o conhecimento genuíno, os
discursos figurativos e a alusão dificilmente serão considerados uma imperfeição ou um abuso da
linguagem.
Admito que, nos discursos em que procuramos prazer e diversão em vez de informação e instru-
ção, é difícil que os ornamentos desse género passem por falhas. No entanto, se queremos falar
das coisas como elas são, temos de reconhecer que toda a arte da retórica, exceptuando aquilo que
respeita à ordem e à clareza, que todas as aplicações artificiais e figurativas das palavras criadas
pela eloquência servem apenas para insinuar ideias erradas, para excitar as paixões, e assim para
nos conduzir ao erro.
De facto, essas aplicações são perfeitos logros, e por esta razão, por muito louvável ou aceitável
que a retórica possa parecer em discursos e declamações populares, é óbvio que elas têm de ser
completamente evitadas em todos os discursos que pretendam informar ou instruir. E onde a ver-
dade e o conhecimento interessam, tais aplicações têm de ser consideradas uma grande falta (...).
Quantas e que aplicações são essas, é algo que seria supérfluo indicar aqui. Os livros de retórica
que abundam no mundo instruirão aqueles que se queiram informar. Só não posso deixar de ob-
servar que a humanidade se preocupa muito pouco com a preservação e o avanço da verdade e do
conhecimento, pois as artes da falácia são cultivadas e preferidas.
É evidente que os homens gostam muito de enganar e de ser enganados, já que a retórica, esse
poderoso instrumento do erro e do logro, tem os seus professores reconhecidos, é ensinada pu-
blicamente e teve sempre uma grande reputação. E não duvido de que o facto de eu a criticar tan-
to será considerado uma grande ousadia, ou mesmo uma brutalidade. A eloquência, à semelhança
das mulheres, tem demasiados encantos para que tolere as críticas. E é inútil criticar estas artes
do logro, com as quais os homens sentem prazer em ser enganados. John Locke, Um Ensaio sobre o
Entendimento Humano.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Acção Humana - Apoio às aulas de Filosofia

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quinta-feira, 23 de novembro de 2006

ISTO ESTA MAU

Os astros anunciavam há muito tempo o inevitável. O actual governo de Portugal (lamentavelmente PS) escolheu uma estratégia: dividir os grupos profissionais e atacar um de cada vez. Não está a fazer mais do que aquilo que lhe foi exigido por uma União Europeia de tendência neo-liberal, perigosamente próxima do capitalismo mais libertário e total alguma vez praticado no Velho Continente.
Com efeito, sabe-se que, não havendo aumento de riqueza, e havendo sectores ou grupos económicos que enriquecem, haverá inevitavelmente quem esteja a ficar mais pobre. Não vale a pena iludir esta simples e demasiado óbvia constatação puramente matemática. A distribuição da pobreza é, por esta via, muito mais rápida, quase instantânea, do que qualquer tentativa de redistribuição da riqueza.
Aos Governos, como bons administradores do Estado, compete assegurar uma justa redistribuição da riqueza para minorar os efeitos perniciosos que resultam da concentração da riqueza num pequeno número de cidadãos.
Só que é mais fácil propagandear a igual penalização de todos, sabendo-se como se sabe que quem tem pouco, perdendo pouco pode perder o essencial e que quem tem muito, mesmo que perca muito, raramente é afectado na sua qualidade de vida. Esta igualização da miséria é uma falsidade. Esta igualização é, de facto, a manutenção de privilégios para os detentores dos meios de produção de riqueza.
Os vários sectores da sociedade não reagiram, ou reagiram com aplausos, quando o Governo atacou um deles: os farmacêuticos, os juízes, os professores, etc. Os próprios jornalistas rejubilaram quando descobriram que o Governo tinha uma Ministra da Educação que conseguia fazer nada, rigorosamente nada, a favor da melhoria da educação, mas que distraiu a populaça com a sua guerrilha contra os professores, como se daí resultasse qualquer bem para o país. A Comunicação Social esteve sempre do lado dela.
Só que agora chegou a vez dos jornalistas: perdem menos do que os professores, em boa verdade quase nada, só o regime especial de Segurança Social e de Saúde, enfim, aquilo que quase todos já perderam, de uma forma ou de outra.
Talvez agora entendam até que ponto têm sido parvos, promovendo a propaganda do poder: talvez agora percebam que têm andado a dar tiros no seu próprio pé. Vamos ver se os editorialistas e chefes de redacção continuam a rejubilar com o azar dos outros ou se aproveitam esta maravilhosa oportunidade para deixarem de estar ao serviço dos grandes grupos económicos, dos gestores de sucesso, dos economistas que não sabem fazer contas de matemática e que acham que o valor de referência para determinar o valor dos vencimentos ou dos preços é o PIB e não a moeda, o Euro, (que, por acaso, tem o mesmo valor em todos os países da Zona Euro, sendo portanto, a variável mais segura para efectuar qualquer comparação aceitável).